Jornal do bem – 3ª Edição

Jornal do bem – 3ª Edição

28/09/2021 0 Por Mental Senior

ESTÁGIO EM GERONTOLOGIA

EDITORIAL

Somos os novos estagiários do Mental Sênior Residência Terapêutica. Estamos no 4º ano do bacharelado em Gerontologia na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP – a conhecida USP Leste.

Neste semestre daremos início a um Projeto na instituição, nomeado Jornal do Bem.  O objetivo deste Jornal é trazer notícias positivas do Brasil e do mundo, de modo leve e informativo. A fim de, propiciar momentos de aprendizado e boas energias.

Equipe de estagiários: Beatriz Alonso, Cleusa Morales, Flávia  Veloso, Gabriela Dimani, Geovana Gomes, Isabela Araújo,  Jeane Viana, Refferson Lima e Victor Hoffman.

Tutor (a): Profa. Dr. Maria Luisa Trindade Bestetti

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Idosos estão cada dia mais conectados, diz pesquisa

Segundo estudo, 58% dos idosos têm acesso à internet nos smartphones.

Os idosos do Brasil estão usando cada vez mais a internet para pesquisar preços, mandar mensagens, fazer chamadas de voz e vídeo, compartilhar conteúdos e fazer compras online.

Os dados são resultado da nova pesquisa do TIC Domicílios, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.Br), divulgada em 2019.

A pesquisa foi realizada presencialmente em 23.508 domicílios em 350 municípios, entre outubro de 2018 a março de 2019, de acordo com os resultados, dos 60+, 58% têm acesso à internet nos smartphones, em 2017, esse percentual era de 27% e em 2015, 13%.

A importância da tecnologia para estimular à cognição.

Ferramentas digitais quando bem aproveitadas são uma excelente aliada para um cérebro mais ativo.

Em 2020 a tecnologia tem sido uma ferramenta indispensável para aproximar crianças da educação e manter idosos conectados ao mundo, mas o seu uso indiscriminado pode trazer prejuízos em diferentes faixas etárias.

De forma geral, o celular e o computador podem ser grandes aliados no processo de aprendizado e não devem ser vistos como inimigos.

O ponto de atenção está no uso excessivo destes recursos, o que, para o cérebro, pode ser prejudicial para a formação de memórias de curto, médio e longo prazo. Durante a pandemia, milhares de pessoas em todo o Brasil contaram com recursos digitais para continuarem estimulando o cérebro de forma correta.

Segundo, Patrícia Lessa, diretora Pedagógica do Supera, método de ginástica cerebral, “Os recursos tecnológicos nos proporcionam um volume grande, veloz e superficial de informações. Como a quantidade de estímulos é grande e o cérebro não tem tempo suficiente para assimilar todos eles, o uso excessivo deles pode prejudicar a formação de memória”.

É muito simples entender como a memória funciona quando usamos como exemplo um celular e um livro. Para ler um livro, por menor que seja, precisamos dedicar 100% de nossa atenção, em uma narrativa contínua com começo, meio e fim. Quando lê um livro o leitor não tem em suas páginas distrações como propagandas ou pop ups, ou seja: se mantém ali, inteiro, dedicando seu tempo integralmente ao que está escrito.

As informações assimiladas desta forma são mais facilmente retidas pelo cérebro e facilitam na criação de memória a longo prazo, o que nem sempre acontece com o celular que oferece estímulos diferentes a todo momento.

Ainda de acordo com Patrícia Lessa,

“A tecnologia mostrou sua força em 2020 e por isso o meio do caminho é o ideal. Não é aconselhável, sobretudo para idosos e crianças, utilizar os recursos tecnológicos como única forma de instrução por um longo período. Quando falamos da saúde do cérebro, os recursos tecnológicos e não tecnológicos devem ser utilizados de forma híbrida e na mesma intensidade, respeitando os tempos de pausa, mesmo em plataformas de Ensino à distância. Se isso for observado a tecnologia pode ser uma grande aliada do cérebro.


Os jogos aprimoram as habilidades cognitivas

Os jogos fazem parte da cultura dos povos desde os primórdios das civilizações.  Para além de um passatempo, trazem em si o objetivo de auxiliar o homem na educação do corpo e da mente para enfrentar os possíveis desafios cotidianos.

Embora tenham surgido com tal preocupação, a popularização, o comércio dos jogos e os avanços tecnológicos deram enfoque à função recreativa, secundarizando o aprimoramento das habilidades que podem ser desenvolvidas a partir da prática do jogo.

Jogos milenares como o Gammon são provenientes de histórias lendárias de antigos povos.

São desafios de tabuleiro que exigem que o jogador adote uma estratégia para defender as suas peças e vencer seu oponente.  Para tanto, é preciso fazer uso da atenção, do foco, do pensamento contínuo, da memória, do raciocínio lógico e do pensamento estratégico.

Assim, essas habilidades são aprimoradas e exercitadas, de modo que, quando for necessário solucionar um problema que exija tais habilidades, o cérebro automaticamente busca as referências de experiências anteriores, consolidadas nas reservas cognitivas da pessoa.

Consideremos o aperfeiçoamento do raciocínio lógico – capacidade de estabelecer relações, análises e comparações, a fim de refletir e elaborar uma solução para o problema apresentado – por meio do jogo. Um empresário, por exemplo, recorrerá a esta habilidade quando precisar resolver questões de seu cotidiano que exijam análises e reflexões, como elaborar estratégias para a captação de novos clientes. Portanto, os benefícios conquistados estão além da saúde mental e qualidade de vida, já que também têm influência no desempenho profissional e escolar dos envolvidos.

Ainda que a difusão das tecnologias tenha propagado a criação de jogos com finalidade exclusiva de passatempo, também trouxe ganhos.

Alguns jogos tradicionais ganharam versões tecnológicas, com variações de regras que podem ser ainda mais desafiadoras e convidativas.  E os desafios como sudoku, arukone e o pic a pix estão disponíveis em aplicativos para smartphones e tablets, dispensando o uso de papel e caneta, e flexibilizando o tempo, atualmente tão escasso.

É importante ressaltar que, para conquistar os benefícios que os jogos podem proporcionar, os desafios precisam ser resolvidos a partir de reflexões, tirando o cérebro da zona de conforto. Solucioná-los à base de tentativas e erros não resultará em desenvolvimento cognitivo, pois a ação é proveniente de automatismos e possibilidades irrefletidas que não geram os estímulos necessários ao cérebro.

Deste modo, é imprescindível dominar as regras do jogo em questão, para que estas subsidiem as estratégias que serão elaboradas, permitindo a busca de certezas por meio de análises lógicas e reflexivas.

Nesse sentido, além dos jogos serem envolventes e prazerosos, também desenvolvem as capacidades cognitivas e emocionais, contribuindo para manter a saúde mental.

A Cognição e o processo do envelhecimento

A cognição se refere à função psicológica do ser humano onde o conhecimento é construído através de alguns processos, que inclui: percepção, atenção, memória, raciocínio, tomadas de decisões, funções executivas, solução de problemas e formação de estruturas complexas do conhecimento. E com o passar dos anos, algumas habilidades cognitivas das pessoas idosas vão se modificando.

Algumas habilidades permanecem inalteradas na velhice, são elas: a inteligência verbal, a atenção básica, a habilidade de cálculo e a maioria das habilidades de linguagem.

Já as que sofrem declínio são a memória de trabalho, a velocidade de pensamento e as habilidades visuais e espaciais.

A inteligência cristalizada, que é a capacidade de lembrar e usar conhecimentos adquiridos ao longo da vida, tende a permanecer estável, enquanto a inteligência fluida, que é a habilidade para resolver problemas novos que exigem pouco ou nenhum conhecimento prévio, tende a declinar gradualmente. É necessário que a pessoa idosa permaneça sempre ativa para não deteriorar as reservas e adquirir outras possibilidades.

Algumas sugestões para dar uma ajudinha em sua performance cognitiva: leitura, palavras cruzadas, sudoku, jogos de tabuleiro, caminhadas, quebra -cabeça, prática de atividades físicas e exercícios ao ar livre.